Home office a dois: dividir as contas quando os dois trabalham em casa

Não faz muito tempo, o escritório pagava a conta de luz, o café ficava na copa e a internet robusta já vinha inclusa no aluguel comercial. Quando os dois passaram a trabalhar de casa, ninguém avisou que essas contas iam simplesmente mudar de endereço. A boa notícia: dividir os novos custos do home office a dois não precisa virar discussão — precisa só de um método. Este post mostra qual.

Trabalhar de casa parecia, no papel, uma economia na certa: sem gasolina, sem almoço fora, sem roupa de trabalho pra lavar toda semana. Só que, junto com a vantagem, chegou uma conta nova — ou melhor, várias contas antigas que mudaram de dono. A energia que a empresa pagava, agora é da casa. A internet que "só existia" no escritório, agora precisa aguentar duas videochamadas ao mesmo tempo. E, quando os dois moram e trabalham no mesmo lugar, essas contas somam — e alguém precisa decidir como dividir.

A conta que ninguém via quando o escritório era do outro lado da cidade

Antes, cada um tinha o seu escritório — com o ar-condicionado, o café, a impressora e a internet pagos por outra empresa. O único custo visível em casa era o de sempre: aluguel, mercado, contas fixas. Quando os dois passam a trabalhar de casa, o orçamento ganha uma categoria nova sem que ninguém tenha decidido criá-la: o custo de manter duas estações de trabalho funcionando ao mesmo tempo, debaixo do mesmo teto.

O problema não é o valor em si — muitas vezes ele é menor do que os R$ 400 ou R$ 600 que cada um gastava de transporte e almoço fora. O problema é que ele é invisível: ninguém sentou pra calcular quanto o home office custa de verdade, e por isso ninguém decidiu, com clareza, como dividir.

Trabalhar de casa não é trabalhar de graça pra casa. Alguém está pagando essa conta — a pergunta é se os dois concordaram em como.

Os 5 custos novos que o home office a dois costuma trazer

Atalho pra não brigar por causa de R$ 40

Antes de decidir como dividir, meçam por um mês: comparem a conta de luz e de internet de antes do home office com a de agora. A diferença — não o valor total — é o que precisa ser dividido. Isso tira a discussão do campo da opinião e coloca no campo do número.

Como dividir esses custos extras: 3 caminhos

Não existe um jeito certo — existe o que faz sentido pra vocês dois. Três caminhos costumam funcionar:

  1. Meio a meio, numa categoria própria. Criem uma linha no orçamento chamada "home office" com a diferença calculada no atalho acima, e dividam ela igualmente — assim como dividem o aluguel.
  2. Proporcional à renda. Se um ganha bem mais que o outro, faz sentido que os custos extras sigam a mesma lógica da divisão geral das contas da casa. (Detalhamos os modelos em como dividir as contas do casal sem brigar.)
  3. Quem usa mais, paga mais. Se um dos dois passa o dia em chamada de vídeo com câmera ligada e o outro trabalha majoritariamente offline, dividir 60/40 ou 70/30 pode ser mais justo do que meio a meio.

Quando um dos dois recebe auxílio home office da empresa

Cada vez mais empresas pagam um auxílio mensal fixo pra quem trabalha remoto — geralmente entre R$ 100 e R$ 300. Se só um dos dois recebe esse valor, vale uma conversa simples: esse dinheiro entra no caixa comum como compensação pelos custos extras, ou fica só com quem recebeu? Não existe resposta errada, mas existe resposta não combinada — e é isso que costuma virar mal-estar. O caminho mais tranquilo, na prática, é o auxílio entrar direto na categoria "home office" do orçamento do casal, cobrindo (ou reduzindo) o que os dois já dividiriam de qualquer forma.

E se um dos dois é autônomo ou tem CNPJ?

Nesse caso, parte do custo do home office pode (e deve) entrar como despesa do próprio negócio, não da casa — internet, parte do aluguel, equipamentos. Separar isso deixa o orçamento pessoal mais leve e ainda pode reduzir imposto. A Conta PJ do Lar Conta existe exatamente pra manter esse livro separado, com DRE simplificado. Falamos mais sobre organizar renda de autônomo em renda variável no casal.

Quando o espaço também é dinheiro

Além da conta de luz, o home office a dois esbarra num custo mais difícil de colocar em planilha: o espaço. Duas pessoas em reunião ao mesmo tempo, numa casa pensada pra um escritório só, geram fricção — e fricção, com o tempo, vira gasto: uma porta com isolamento melhor, um fone com cancelamento de ruído, ou até a decisão de alugar um cômodo a mais. Não é um custo que aparece toda semana, mas vale colocar como meta de médio prazo se o home office veio pra ficar.

4 hábitos que mantêm a paz (e o orçamento) no home office a dois

No fim das contas, vale a pena?

Pra quase todo mundo, sim — mesmo com os custos novos, home office costuma sair mais barato que o escritório: sem transporte diário, sem roupa social, sem almoço fora todo dia. O ponto deste post não é assustar, é evitar o erro mais comum: deixar essas contas novas soltas, sem categoria e sem dono, até que uma vire motivo de discussão que não tem nada a ver com o valor em si — tem a ver com não ter sido combinado. Meçam a diferença, escolham um método de divisão e tratem o home office como o que ele é: mais uma linha do orçamento do casal, não um mistério.

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